Os dados agora revelados pela TVI sobre a forma como foi escolhido um juiz na Relação para apreciar o recurso de Rui Rangel contra o Correio da Manhã ameaçam a confiança dos cidadãos na Justiça e levantam várias perplexidades.
Qual seria a ideia do então presidente do Tribunal da Relação, juiz-desembargador Vaz das Neves, quando ordenou que se esperasse pelo seu regresso de férias para entregar o recurso a quem o ia julgar?
O que quereria dizer Rangel quando ordenou por SMS a esse mesmo juiz-desembargador, presidente da Relação, que "controlasse a situação"?
Como foi escolhido o juiz Orlando Nascimento para apreciar o recurso que veio a inverter a decisão da primeira instância?
Porque razão o acórdão proferido no final deste processo, cujos verdadeiros contornos só agora começam a ser conhecidos, acabou liminarmente arrasado no Supremo?
Este jornal, dois jornalistas e o seu diretor foram condenados, em segunda instância, a uma pesada indemnização de 50 mil euros por publicarem uma notícia verdadeira.
Os profissionais tiveram as contas penhoradas, sofreram danos reputacionais, atravessaram problemas do mais variado foro devido a uma decisão injusta, e, sabe-se agora, viciada.
A suspeita de que a Justiça é injusta é um fardo demasiado pesado para a sociedade, para a democracia e para o próprio Estado de direito.
A esmagadora maioria dos juízes são profissionais sérios, dedicados e que trabalha com o nobre fito do bem comum.
Esses juízes não podem, por isso, pactuar com quem tenha cometido crimes que põem em causa o bom nome da classe e a credibilidade da própria Justiça.
Não descansaremos até ser conhecida toda a verdade, e acompanharemos esta investigação até ao fim, como sempre, em nome do interesse público.