Numa altura em que se decide o futuro da medição de audiências televisivas em Portugal é importante distinguir o essencial do acessório. E o essencial é a transparência de um mercado que movimenta centenas de milhões de euros e que dá emprego a milhares de portugueses.
Todos sabemos que a indústria vive uma fase complexa. O consumo de canais generalistas de modelo clássico desce em todo o mundo ocidental, como comprova a generalidade dos estudos internacionais.
Perante isto, os patrões das empresas afetadas pela fuga massiva de espectadores têm duas formas de reagir: ou enterram a cabeça na areia e tratam o país como um quintal privado, ou reinventam o negócio com criatividade e vão à luta num ambiente saudável e leal. Este último tem sido o caminho trilhado na generalidade dos países europeus e na América.
Por cá, pelo contrário, existe o péssimo hábito de defender a democracia e o mercado livre às segundas, quartas e sextas, enquanto se pugna pela manutenção dos privilégios às terças, quintas e sábados, e ao domingo vai tudo jogar golfe.
Entendamo-nos. A tentação do condicionamento industrial está ao rubro, e tem na medição de audiências diárias, feita sob a égide da CAEM, o palco da vergonha.
Estaremos todos atentos. Quem quer medir a realidade através de uma lente aumentativa está a meio caminho da fraude e deve ser combatido por todos os meios à disposição de uma sociedade aberta e de direito democrático.