Fernanda Cachão
O medo nunca muda
A última geração a ouvir dos pais "já te disse para pores a mão à frente da boca" teve os filhos que aprenderam com a gripe A a espirrar para a manga.
A última geração a ouvir dos pais "já te disse para pores a mão à frente da boca" teve os filhos que aprenderam com a gripe A a espirrar para a manga.
Fez há dois anos um século da pneumónica, que matou mais gente do que a Primeira Guerra Mundial que então se combatia.
Deputada solitária saiu mal vista da contenda com o Livre, pelo menos a ver pela mais recente sondagem a propósito da confiança que depositamos nos políticos.
Numa altura em que se debate a eutanásia incorre-se no equívoco de achar que quem a defende não cuidará de quem se vai embora.
No domingo lembrámo-nos de Hattie McDaniel, a empregada ‘mammy’ de Vivien Leigh em ‘E tudo o vento levou’.
Somos daquela geração em que as poucas telenovelas exibidas coloriam o quotidiano com palavras em português do Brasil.
Já não servem de justificação para nada os "jipes das patrulhas zunindo no meio das ruas e becos, de cubatas arrumadas à toa".
Um dia iremos passear com satisfação por aquele que será um "dos epicentros da maior bacia de drenagem de Lisboa".
A possibilidade de guerra encontra sempre maior força quando todos retiram proveito interno.
A distopia é a certeza incómoda de que nenhuma espécie prospera quando o número de jovens declina.
Alberto João Jardim apelidou adversários políticos de rafeiros e ordinários mas talvez este não seja o melhor exemplo.
Depois de um debate com líderes de pequenas e médias empresas, Trump balbuciou que as lâmpadas antigas fazem as pessoas alaranjadas.
Parece que Greta Thunberg chegou de barco e se foi embora de comboio por causa do CO2.
Nem sequer damos por esta espécie de placebos que meia volta vão a votação no Parlamento.
Vem isto a propósito dos devaneios despesistas que de tempos a tempos surgem tanto à direita como à esquerda.
Não foi bonito o serviço que PS, BE, PCP e PEV prestaram à democracia.