António Sousa Homem
Uma família é uma lista de hábitos
Como sempre considerou o meu avô, administrador de quintas no Douro, o velho Doutor Homem, meu pai, não tinha jeito para os negócios.
Como sempre considerou o meu avô, administrador de quintas no Douro, o velho Doutor Homem, meu pai, não tinha jeito para os negócios.
Vivi várias décadas de quarentena sem saber que se tratava de isolamento.
Mandasse eu, e haveria uma quarentena literária acerca da Primavera e das primeiras tardes tépidas do ano.
Como concluía na crónica da semana passada, em Moledo esperamos sempre pelo dia seguinte
Calhou a minha sobrinha Maria Luísa protestar contra os Elementos (ou seja, que queria o fim do Inverno) para que Dona Elaine, a governanta deste eremitério de Moledo, lhe lembrasse que fazer calor era coisa do Verão – e, recordando a cansativa sabedoria dos provérbios, que "Fevereiro quente traz o diabo no ventre".
Na semana passada, a minha sobrinha Maria Luísa levou-me de passeio pela estrada do Gerês – que eu chamo "a via panorâmica" – para cumprir a obrigação de retirar da garagem o velho automóvel que, misteriosamente, continua a existir desde 1978
Com a idade e, portanto, com a proximidade do fim, habituei-me a desejar o Verão ou a doce beleza da nossa Primavera minhota – mais do que a aceitar a inevitabilidade do Inverno.
Boa parte da família visita Moledo aos domingos de final de manhã e prolonga a tarde entre conversas que afloram a meteorologia, as finanças, a televisão e outros males da Pátria
Uma vez que a hipótese de viver fora do mundo não parecia aceitável, era opinião de toda a família que a Tia Benedita “se fazia de desentendida” quando mais lhe convinha e sobretudo a meio de conversas que não seguiam o rumo mais vantajoso.
Um dos temas dos festejos de Natal é, de ano para ano, saber se há "uma história do Natal".
Dona Elaine encara o Natal como uma data maior na sua agenda culinária
Passei grande parte da minha vida a observar os arvoredos do Minho
Reunião semanal à mesa de Moledo foi antecipada para sábado, o que foi muito oportuno, com a chuva caindo mansamente nos pinhais em redor enquanto se festejavam os filetes de bacalhau que Dona Elaine serve uma vez por mês.
Como já em tempos informei os meus benevolentes leitores, a minha sobrinha Maria Luísa acha que eu não sou quem sou
Como não existe português que não se considere ‘amigo do progresso’, declarando ‘os conservadores’ adversários da espécie humana em geral, estava disposto a não entrar na discussão sobre o fim dos exames e dos chumbos nas escolas portuguesas.
A Dra. Teresa (a minha médica de Venade, aquela bela colina inclinada sobre Caminha), mandou-me "fazer as análises"